Resolução da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira n.º 15/2019/M

 
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Resolução da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira n.º 15/2019/M

Classificação do Mercado dos Lavradores do Funchal como monumento de interesse público

O Mercado dos Lavadores do Funchal, inaugurado a 24 de setembro de 1940, juntamente com o Matadouro Municipal e projetado pelo distinto arquiteto Edmundo Tavares (1892-1983), assume-se como edifício emblemático não só da cidade como da Região Autónoma da Madeira.

A inauguração desta importante infraestrutura, instalada no «coração» do Funchal, esteve associada ao programa das comemorações da Independência de Portugal: da fundação do Estado Português, em 1140, e da Restauração, em 1640.

Este Mercado assume uma linha modernista, que começava a dar os primeiros passos na arquitetura madeirense, através das obras de Edmundo Tavares, criadas no contexto das dinâmicas implementadas por Fernão Ornelas, a partir de 1935.

As características do Mercado dos Lavradores assentam na planta trapezoidal, tendo no centro um grande pátio retangular, amplos espaços de circulação, volumes articulados vertical e horizontalmente, fragmentados e diversificados, e pilares entre os vãos dando grande amplitude ao local, conotando-se com a ideia de uma cidade em miniatura, com ruas largas e praças espaçadas, em que se denota a estética da Art Déco, de cariz mais geometrizante, conjugada com alguns regionalismos construtivos e estéticos.

Apesar de ter sido alvo de algumas intervenções, desde 1980, este Mercado tem mantido as características e valências que lhe são identificativas. É este fator, a não descaracterização do Mercado, que torna indispensável a classificação ora proposta, na medida em que importa preservar os traços e identidade daquele edifício, salvaguardando-o de quaisquer futuras intervenções que possam vir, eventualmente, a desvirtua-lo. Importa garantir e assegurar a defesa do património.

Trata-se de um lugar que faz parte da memória coletiva de todos os funchalenses e madeirenses, pela sua singularidade, mas também como espaço de compra de produtos e de convívio. São, de resto, imensos os eventos que ali são realizados, sendo o mais conhecido e que mais pessoas atrai ao local, a «Noite do Mercado», no dia 23 de dezembro, que representa o que de mais genuíno existe na cultura madeirense.

É igualmente uma referência para aqueles que nos visitam, sendo ponto de passagem obrigatória dos turistas, quer daqueles que têm uma estada prolongada, quer dos que viajam nos navios de cruzeiro, sem muito tempo para...

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